terça-feira, 1 de junho de 2010

O Grande Enigma

"Que é Deus? Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas." - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec

"Pode-se levar mais longe a definição de Deus? Definir é limitar. Em face deste grande problema, a fraqueza humana aparece. Deus impõe-se ao nosso Espírito, porém escapa a toda análise. O Ser que enche o tempo e o espaço não será jamais medido por seres limitados pelo tempo e pelo espaço. Querer definir Deus seria circunscrevê-lo e quase negá-lo." - Programa Fundamental Tomo I - ESDE - FEB

"Não procures Deus nos templos de pedra e de mármore, ó homem que o queres conhecer, e sim no templo eterno da Natureza, no espetáculo dos mundos a percorrer o Infinito, nos esplendores da vida que se expande em sua superfície, na vista dos horizontes variados: planícies, vales, montanhas e mares que a tua morada terrestre te oferece. Por toda parte, à luz brilhante do dia ou sob o manto constelado das noites, à margem dos oceanos tumultuosos, e assim na solidão das florestas, se te sabes recolher, ouvirás as vozes da Natureza e os sutis ensinamentos que murmura ao ouvido daqueles que frequentam suas solidões e estudam seus mistérios.

A Terra voga sem ruídos na extensão. Essa massa de dez mil léguas de circuito desliza sobre as ondas do éter qual um pássaro no Espaço, qual um mosquito na luz. Nada denuncia sua marcha imponente. Nenhum ranger de rodas, nenhum murmúrio de vagas sob seus flancos. Silenciosa, ela passa, rola entre suas irmãs do céu. Toda a potente máquina do Universo se agita; os milhões de sóis e de mundos que a compõem, mundos perto dos quais o nosso vale por uma criança, todos se deslocam, se entrecruzam, prosseguem suas evoluções com velocidades aterradoras, sem que som algum ou qualquer choque venha trair a ação desse gigantesco aparelho. O Universo continua calmo. É o equilíbrio absoluto; é a majestade de um poder misterioso, de uma Inteligência que não se impõe, que se esconde no seio das coisas, e cuja presença se revela ao pensamento e ao coração, e que atrai o pesquisador qual vertigem do abismo.

Se a Terra evolucionasse com estrondo; se o mecanismo do mundo se regulasse com fracasso, os homens, aterrorizados, curvar-se-iam e creriam. Mas, não! A obra formidável se executa sem esforço. Globos e sóis flutuam no Infinito, tão livres quanto plumas sob a brisa. Avante, sempre avante! O rondar das esferas se efetua guiado por uma potência invisível.

A vontade que dirige o Universo se disfarça a todos os olhares. As coisas estão dispostas de maneira que ninguém é obrigado a lhes dar crédito. Se a ordem e a harmonia do Cosmos não bastam para convencer o homem, este é livre no conjeturar. Nada constrange o céptico para ir a Deus.

O mesmo acontece às coisas morais. Nossas existências se desenrolam e os acontecimentos se sucedem sem ligação aparente; mas, a imanente justiça domina ao alto, e regula nossos destinos segundo um princípio imutável, pelo qual tudo se encadeia em uma série de causas e de efeitos. Seu conjunto constitui uma harmonia que o espírito emancipado de preconceitos, iluminado por um raio da Sabedoria, descobre e admira. Que sabemos nós do Universo? Nossa vista só percebe um conjunto restrito do império das coisas. Somente os corpos materiais, à nossa semelhança, a afeta. A matéria sutil e difusa nos escapa. Vemos o que há de mais grosseiro, em tudo que nos cerca. Todos os mundos fluídicos, todos os círculos onde a vida superior se agita, a vida radiosa, se eclipsam aos olhos humanos. Distinguimos apenas os mundos opacos e pesados que se movem nos céus. O Espaço que os separa nos parece vazio. Por toda parte, profundos abismos parecem abrir-se. Erro! O Universo está cheio. Entre essas moradas materiais, no intervalo desses mundos planetários, prisões ou presídios flutuam no Espaço, outros domínios da Vida se estendem, vida espiritual, vida gloriosa, que nossos sentidos espessos não podem perceber porque, sob suas radiações, quebrar-se-iam qual se rompe o vidro ao choque de uma pedra.

A sábia Natureza limitou nossas percepções e nossas sensações. É degrau a degrau que ela nos conduz no caminho do saber. É lentamente, trecho por trecho, vidas depois de vidas, que ela nos leva ao conhecimento do Universo, seja visível, seja oculto. O ser sobe, um a um, os degraus da escadaria gigantesca que conduz a Deus. E cada um desses degraus representa para o ser uma longa série de séculos.

Se os mundos celestes nos aparecessem de repente, sem véus, em toda a sua glória, ficaríamos aturdidos, cegos. Mas, nossos sentidos exteriores foram medidos e limitados. Eles avultam e se apuram à medida que o ser se eleva na escala da existência e dos aperfeiçoamentos. O mesmo se dá com o conhecimento, a possessão das leis morais. O Universo se desvenda a nossos olhos, à proporção que a nossa capacidade de compreender as suas leis se desenvolve e engrandece. Lenta é a incubação das Almas sob a luz Divina."

DENIS, Leon. O Grande Enigma. 14. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
Primeira Parte. Cap. 5 (Necessidade da idéia de Deus), p. 69.

2 comentários:

  1. que enrascada não
    o que é Deus ?
    quem é Deus ?
    onde ele está ?

    tenho que recorrer as lembranças das minhas leituras
    e me lembro de texto comentado do evangelho :
    " um certo apóstolo perguntou a Jesus :
    - com o que se parece o reino de Deus ?
    (ele ensinava por parábolas para facilitar o entendimento)
    - o reino de Deus é semelhante a uma semente de mostarda
    a menor dentre todas as sementes
    mas, quando jogada em terra firme
    se transforma numa grande árvore e serve de abrigo para todos os pássaros do céu ! "

    em qual parte da árvore se encontra a semente ?
    não podemos ser ingênuos de procurar a semente na árvore, da mesma forma que não devemos procurar Deus em algum lugar do universo

    para ser eterno é preciso se transformar !
    para ser eterno é preciso morrer e renascer...
    (renovado e com mais qualidade)

    não tem como sequer tentar discordar dos textos escritos por seres tão iluminados !

    Deus não está neste universo tão maravilhoso, Deus é o próprio universo !

    "um Deus sem dogmas, um Deus não concebido a imagem do homem !"

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  2. Fascinante esse assunto, né Chiquito! Obrigado pelos comentários. Abraços!!!

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