quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Buraco

1.
Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...
Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2.
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3.
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4.
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5.
Ando por outra rua.

Texto extraído de O Livro Tibetano do Viver e do Morrer, de Sogyal Rinpoche.

3 comentários:

  1. primeiro, parabéns pelo novo visual do blog (ficou mais "clean").
    quanto ao tema, ao meu ver, uma forma inteligente de versar sobre nosso poder de escolha, o livre arbítrio
    vejo o buraco, conheço seu conteúdo, mas mesmo assim eu caio !
    (alguma coisa lá me agrada e eu pago preço)
    quanto devemos evoluir, em todos os sentidos, para termos a convicção de que vale a pena optar por outros caminhos ?
    dar a volta e andar por outra rua !
    abraço.

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  2. Excelente pergunta, Chiquito!

    "quanto devemos evoluir, em todos os sentidos, para termos a convicção de que vale a pena optar por outros caminhos?"

    Particularmente, acredito que a resposta para esta pergunta vem justamente no momento em que nossa evolução já deu seu próximo passo.

    Abraços,
    Adriano.

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  3. Esse é um belo de um poema para quem quer evoluir nesta vida.
    Parabéns pelo Blog Adriano, sigo teus passos também acesse meu blog.
    http://iri4you.blogspot.com

    Abraços.

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