sábado, 27 de fevereiro de 2010

Lei do Progresso

Como mencionei a Lei do Progresso em uma postagem anterior, resolvi então tentar explicar um pouco melhor do que se trata. Como não sou nenhum grande especialista, vou explicar do meu jeito :--) Darei foco em alguns poucos pontos, os quais considero mais importantes. Embora o assunto tenha seu grau de dificuldade, tentarei ser bastante simples para facilitar o entendimento.

De modo geral, a Lei do Progresso fala sobre a marcha de todos os seres rumo à evolução. Contida no Livro dos Espíritos, ela menciona temas como civilização e legislação, abordando aspectos relacionados aos indivíduos e aos povos. Mas como se dá o progresso? Há dois tipos: o progresso intelectual, que acaba acontecendo mais rápido, e o moral. Avançando em intelecto, mas ainda ligadas a sentimentos tais como orgulho e egoísmo, as pessoas adquirem melhores condições materiais. Acumulam patrimônio, aproveitam a vida, enfiam o pé na jaca. É então que surge um baita vazio no peito. Dinheiro não traz felicidade, né?! Como consequência, as pessoas passam a buscar alegria junto da família, dos amigos, começam a ajudar os outros. Olha aí o progresso moral!!! E sabem por que o progresso intelectual vem antes? É ele que torna mais compreensíveis o bem e o mal. Como temos o direito ao livre-arbítrio, somos nós mesmos os responsáveis por escolher pensamentos e atitudes. "O homem está condenado à liberdade", já dizia o filósofo francês Sartre. A evolução moral está em escolher cada vez melhor, acertar mais e errar menos. Este é o mecanismo do progresso.

Bem, amigos! Espero que eu tenha sido claro e colaborado com a compreensão de vocês. Para finalizar, eu gostaria apenas de dizer que o processo todo de evolução ocorre em encarnações sucessivas em diferentes mundos ao longo de muito e muitos anos. Mas reencarnação e pluraridade de mundos são temas tão abrangentes que merecem suas próprias postagens. Fica pra próxima!

Uma Questão de Conduta

Grande parte das pessoas relaciona o Espiritismo a fenômenos sobrenaturais. É a tia de outra cidade que tem visões. O primo que é medium e conversa com os mortos. A vizinha que toma passes no centro espírita. O fenômeno das mesas girantes que foram profundamente estudados por Allan Kardec. Nosso Chico Xavier que psicografou livros e mais livros com a ajuda de seus guias espirituais. Mas será que estes fenômenos por si só representam o Espiritismo? Antes de responder, quero contar brevemente a vocês como tem sido minha própria experiência.

Comecei a frequentar o centro espírita faz apenas alguns meses. Na verdade, eu já havia me deparado com o assunto várias vezes antes disso, desde que eu era criança. Agora resolvi mergulhar de cabeça. Sabem o que encontrei no centro espírita? Uma porção de pessoas buscando se aperfeiçoar e que, em geral, estudam muito para isso. Minha rotina semanal no centro é simples: ouvir a palestra do dia e tomar passe antes de ir embora. Só isso. Nunca vi um fenômeno fora do comum no centro, nada mágico. Existe o desenvolvimento de trabalhos mediúnicos, mas estes são realizados por grupos fechados formados por pessoas que já avançaram mais em seus estudos. Na verdade, o que logo se vê ao entrar no centro é uma porção de livros!!! Adorei, até comecei um curso recentemente.

Respondendo então a pergunta anterior, ver espíritos, ser medium, tomar passes e ler os romances psicografados não é ser espírita. Os fenômenos relacionados aos espíritos são, na verdade, fenômenos naturais. Só não temos ainda ciência suficientemente desenvolvida para entendê-los. Ser espírita é uma questão de conduta. A conduta de ser bom, humilde e caridoso. Embora seja simples, não é fácil. Portanto, os espíritas estudam o tempo todo, buscando aprimorar constantemente o discernimento entre o bem e o mal e vigiando suas ações e pensamentos com base nisso. Isso é ser espírita. Para quem quiser se aprofundar, sugiro o site do centro que eu frequento: caminhodedamasco.org.br

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lavar a Louça

Pessoal, abaixo um texto que enviei para alguns sites e jornais espíritas para ver se alguém publicava, mas ninguém publicou nem deu a menor bola. Tudo bem, não tem problema, agora está publicado aqui. Abraços e boa leitura :--)

-----
Não é de hoje que tenho prestado mais atenção às minhas reações ao cotidiano. Homens em geral, e comigo não havia de ser diferente, passam boa parte da vida buscando a glória das grandes realizações. Ser o melhor nos estudos, na empresa, atingir altos cargos, receber grandes montantes, ser reconhecido, invejado. – Que orgulho de mim mesmo! Assim dizem e se esbaldam na admiração que recebem de seus iguais, tal qual se lambuzam crianças em sorvete. Fazem-no até, de certa forma, inconscientemente. Quase que despercebidos das intermináveis horas de ausência no lar, das atenções apenas contadas vezes dispensadas aos mais queridos, dos momentos de intolerância, das bravezas e indelicadezas. É de repente que ganha principal importância uma salvadora inquietação. – Será mesmo este o caminho?

Lá em casa estávamos há tempos precisando dividir as tarefas domésticas. Não era correto que minha querida esposa arcasse sozinha com tantas atividades. Marido, dois filhos pequenos, cachorro, casa, empresa, minha nossa! Fizemos então uma divisão mais justa. A mim foi atribuída a tarefa de lavar toda a louça após as refeições. Até que assumi a responsabilidade com bom grado. De iniciativa própria, coloquei-me à disposição. – Deixa que eu lavo! Imaginei que poderia haver algum aborrecimento, mas que seria suportável. Iniciei então no mesmo dia.

Desde lá, inesperado sentimento vem crescendo. Não podia imaginar o bem que a lavação me seria. Cadê o aborrecimento? O trabalho é solitário, é verdade. E raro se espera que as panelas, pratos e talheres fiquem tão sujos. Não que eu nunca tivesse me colocado a lavar louças, tal fato já me era sabido. A diferença é que passei a me deliciar com as preciosidades que sempre estiveram por ali escondidas. Que maravilhas! A humildade ao tomar os serviços diariamente após as refeições. A paciência, antes pouco cultivada, surgindo para me ajudar a retirar as sujeiras dos cantinhos. O respeito à água, um líquido tão sagrado, escoando por entre os dedos. O carinho ao conferir a qualidade da limpeza. A alegria em servir à minha família. É tanta que, às vezes, até começo a cantarolar durante os afazeres.

Confesso, entretanto, que me surpreendeu minha própria transformação. Passei tanto tempo admirando famosos atletas, executivos e líderes da história. Lutei para cravar meu nome junto ao deles. – Será que não vão colocar minha foto nem no jornalzinho da empresa? Sonhei intimamente, por anos a fio, em conceder entrevistas à imprensa. Ainda vejo as chances, bastaria agarrá-las. Creio que percebi em tempo, porém, a fútil ilusão. As maiores realizações estiveram sempre tão pertinho. Ajudar a família, os amigos, os mais próximos. E não foi por falta de aviso que insisti durante anos na ignorância, pois minha querida esposa constantemente me alertava com sábios dizeres. Hoje verdadeiramente compreendo, de coração, que ela estava certa. Não tenho como agradecer a Deus a inspiração que me levou a absorver lição tão doce. Só peço que me ilumine e permita avançar por este que, sem dúvida, é o único caminho possível. Lavar a louça.

Fé?! Eu quero raciocinada!


Amigos! Fui buscar no Espiritismo um tema muito especial para o nosso blog, a fé raciocinada. Vocês sabem o que é isso? Significa que não basta ter fé, mas que devemos também compreender a fé. Em outras palavras, a gente tem sempre que entender o que está fazendo, mesmo quando se trata de religião. Isso é fé raciocinada. E como a linha principal do nosso blog está na dupla espiritualidade e razão, então o assunto veio bem a calhar para as postagens iniciais.

Este conceito teve um forte impacto em mim. Posso ser sincero? Eu não dava a mínima para religião antes de conhecer a fé raciocinada. Essa rebeldia começou quando eu era criança. De forma intuitiva, pequenino ainda, minhas buscas por Deus e pela espiritualidade se iniciaram. Eu me lembro de ter feito perguntas bastante embaraçosas aos adultos sobre a criação do mundo. Aliás, já entendi que Deus criou todo o universo, mas alguém pode me dizer de onde Ele nasceu? Hahaha. Eram perguntas embaraçosas mesmo. E, como não podia deixar de ser, ficaram sem respostas. Aliás, não sei se tem muito a ver, mas foi nessa mesma época em que, apesar da pouca idade, ganhei da minha família o troféu de chato. Eu o carrego até hoje comigo - e ninguém tasca!!! Hehe. A rebeldia foi crescendo, a indiferença à religiosidade aumentando. Eu era um morto-vivo nas aulas de religião na escola, só seguia o script para não ficar de fora da turma. Acabei então criando minhas próprias teorias sobre o bem e o mal, as Leis de Adriano Bello. Fiquei orgulhoso e arrogante. Então, graças ao mesmo Deus misericordioso que eu ignorava, descobri a fé raciocinada e comecei a estudar a espiritualidade.

Hoje entendo humildemente que existem leis sagradas que regem absolutamente tudo o que acontece no Universo e isso é independente do fato de eu as conhecer ou não. Se a busca pela verdade fosse uma corrida, então a religião dispararia na frente. Pregando bondade, humildade e justiça, a religião coloca todo mundo no caminho correto. Mesmo sem saber direito o porquê, as pessoas tentam seguir os princípios, e isso é ótimo! A filosofia vem logo atrás, com suas sábias indagações a respeito de tudo. E a ciência vem na lanterna, por último, colocando ordem nas coisas, equacionando, experimentando e provando por A mais B o que, muitas vezes, as religiões e as diferentes correntes filosóficas já diziam de uma forma ou de outra. Só para dar um exemplo, sem querer me estender nem causar polêmica, mas o Espiritismo define um tal de fluido cósmico universal desde o século dezenove. E, para aqueles que ainda não assistiram no Discovery Channel ou na National Geographic um dos vários programas científicos que falam sobre a matéria escura e a energia escura do universo, então eu recomendo que vejam. Sabe do que se trata? É a ciência, dois séculos depois, realizando seu nobre, incansável e meticuloso trabalho de colocar os pingos nos i’s.

Se acreditar por acreditar é como seguir por uma trilha escura, então se pode dizer que conhecimento e entendimento trazem luz ao caminho. Embora o caminho seja sempre o mesmo, quando ele está iluminado é mais fácil evitar os tropeções, as saídas sem querer da rota, é possível ver com clareza os perigos e, além de tudo isso, também atingimos mais depressa o destino. Destino de nos tornarmos pessoas melhores, mais bondosas, mais humildes e mais caridosas. É isso o que a fé raciocinada tem me proporcionado. Um coração que, aos pouquinhos, vai amolecendo sob o calor da brilhante luz divina do conhecimento. Eu vou chegar lá, embora eu ainda não saiba direito onde seja. Todos nós chegaremos, sem exceção. Esta é a inexorável Lei do Progresso, não há como ser diferente. Tenham fé!

Fiquem com Deus.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Despertar do Engenheiro

Como um engenheiro, naturalmente questionador e movido pela razão, encara as questões da espiritualidade? Parece que razão e espiritualidade são coisas que não se misturam, não é mesmo? Pois é... Acontece que, para mim, estas duas coisas estão caminhando juntas já faz algum tempo. Decidi então compartilhar meus pensamentos com vocês para checar suas opiniões. Vou escrever sobre religião, história, filosofia, ciência, esoterismo, enfim, vou fazer uma salada com todos os assuntos. Mas tudo o que eu escrever aqui representa uma opinião absolutamente pessoal, combinado? E não se intimidem com o fato de eu usar a figura do engenheiro para representar a razão, quero ver todo mundo lendo e comentando os textos sem discriminações. A única condição é se livrar dos preconceitos e deixar a mente voar.